Com o Boss na loja, o dia devia ter sido santo

– Sabes que eu não sou assim tão fã dele…

– Man, não era preciso seres fã. Era o Boss!

Alguma vez é preciso ter fome para comer um donut? A frase não é minha, não lhe reclamo o crédito. É dessa ícone de sapiência chamado Homer Simpson. É preciso ter a discografia toda do Bruce Springsteen para saber que, em vindo cá, o homem vale bem os 60 euros? Já gastei tanto 60 euro em coisas tão menos interessantes…Mas a verdade é que não fui…e estou altamente danado comigo, disposto quase a acender um velinha, agarrar num terço e bater no peito e dizer “perdoa-me Senhor, porque sou pecador”. Eu não tenho a discografia toda homem, pois que não tenho. E também não lhe reconheço influência musical ao ponto de figurar nas playlists das canções da minha vida. Mas não era só de um concerto que se tratava. O homem representa tudo o que o rock e essa coisa de fazer canções tem de bom. E isso vale 60 euros, diabo!

“One, two, three, four”. O Bruce é o homem mais cool do planeta no que toca a contar até quatro! Seja para a música arrancar, seja para a música dar mais um volta, seja para aqueles momentos em que todos os músicos do palco estão a manter os acordes e pratalhadas suspensas à espera da inevitável contagem do seu patrão para dar mais uma volta.

Conheço pouca gente que morra de amores pelos EUA, acho que de resto continua a ser um dos ódios de estimação preferidos da humanidade (eu próprio tenho um espacinho no meu dossier de “coisas a odiar com frequência”). No entanto, o homem conseguiu escrever um “quase-hino” chamado Born in the USA. E ninguém desta ou daquela parte do planeta se excusa a gritar a plenos pulmões “Born in the USA, Born in the USA” as vezes que fizerem falta. E nunca ouvi ninguém a queixar-se daquelas seis notas que as teclas insistem em tocar durante toda a música (toda a música mesmo!).

Aos 62 anos (e não 66, mérito dado à correção feita por uma das leitoras) já não tem nada a provar a ninguém, nem a ele próprio. Pode até dar-se ao luxo de saltitar quando lhe apetecer entre a linha ténue que separa um cagão de um homem humilde mas seguro e com um grande par de tomates. Até porque o título de Boss assenta-lhe tão bem…

E ainda por cima trouxe a E Street Band com ele, que inclui um dos capitães do Tony Soprano, o Silvio. Será que ainda vou arranjar problemas com a máfia de New Jersey por não ter ido? Só me faltava mais essa!

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3 thoughts on “Com o Boss na loja, o dia devia ter sido santo

  1. Bem, meu amigo…
    Como bem sabes, estive nesse fantástico concerto e ainda dou comigo a pensar como fui capaz de colocar a hipótese de não ir… Parva!!!!
    Foi REALMENTE BOM!!!! O homem tem uma energia contagiante… O final foi fantástico: ouvir as suas canções mais conhecidas com o fogo de artifício como pano de fundo…. O momento em que foi buscar um miúdo a multidão, e lhe deu o microfone para cantar também foi excelente! Tento em conta que não deveria ter mais de 7 anos, cantou e espantou os milhares de pessoas que ali estavam: sabia a letra toda e o seu inglês era bom! Foi um bonito momento…
    Mas sei bem como te sentes, porque já passei por isso… Arrependi-me profundamente de não ter ido ver um concerto o ano passado!!! Pior: não aprendo as lições. Vieram cá em Fevereiro e eu não os fui ver. Arrependi-me!!!… Como se não bastasse (e aí se vê que não aprendo), voltaram a vir em Agosto… Adivinha quem não voltou a ir???? Claro! Aqui a croma da Vanessa!!!
    Mas garanto-te: à terceira será de vez!!! Nem que tenha de assaltar um banco! 😛

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