A extinção do acento grave

“Aberto das 9 ás 17”

“Á pipis e moelas”

(calafrios)

Sou pela Língua Portugesa, de preferência bem tratada que é o mesmo que dizer bem escrita e bem falada. Não sou nenhum paladino que anda por aí com cartazes na rua a defender o “bem-escrever” e também não tenho nenhum antídoto dentro de mim que me livre de, de quando em vez, estampar um agrafo no escroto da gramática. Não tenho nenhum poster no meu quarto da Edite Estrela. Isto que fique desde já bem claro!

Às crianças, sobretudo aquelas que estão numa fase embrionária no que diz respeito à aprendizagem da ortografia, (quase) tudo se desculpa. É dos erros dos adultos que me queixo. Incomoda-me francamente a displicência com que algumas pessoas escrevem! Há pessoas que simplesmente não se esforçam por respeitar a língua. Mas, de todos os erros que por aí vejo, há um que me causa urticária e suores frios: o “á”! E porque me custa especialmente? Porque quase podemos dizer que o acento grave só existe numa palavra: “à”. Naturalmente não podemos esquecer que também ele está presente no “às” e na contração de “à” com alguns demonstrativos (àquilo, àquele, àquela). Mais recentemente, e devido à forma com que salivamos e mastigamos as sílabas ao falar, é frequente vê-lo igualmente em palavras como “prà” ou “prò”, isto porque o acento grave resulta da contração de uma preposição com um artigo (para+a ou para+o).

O que me incomoda é que o acento grave é uma raridade! Na verdade, há muito que o considero uma espécie em vias de extinção. De fato, creio que ainda serei vivo (e acho que não precisarei de ter uma vida por aí além de longa) para ver surgir um acordo ortográfico que, de uma vez por todas, queima na fogueira este acento-bruxa que vai fazendo das tripas coração para se manter vivo. Até porque ainda temos a eterna confusão entre o “há” e o “à”, mas nem quero entrar por aí…

Bom, se pensarmos bem, não há qualquer razão fonética para o acento grave existir. O som “forte” da letra “a” é lido da mesma forma com acento grave ou agudo. Mas já que ele existe e, ainda por cima, em tão poucas palavras, será que poderemos fazer um esforço para o manter vivo, porra??

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