Sobre o tipo que anda a convidar toda a gente para ir ver os aviões

Não foi de repente, foi uma coisa que foi crescendo em mim sem eu dar conta. Foi o Piazzolla, foi o Morricone, foi o Rodrigo Leão. Antes disso já tinha sido o António Pinho Vargas, o Pat Metheny e meia dúzia de coisas bonitas dos grandes compositores clássicos. Depois de ter dobrado o cabo da descoberta dos grandes guitarristas, depois de ter dobrado a esquina onde param os bons escritores de canções e poemas, brotou o vício e a urgência da música sem letra. Não foi de repente, foi crescendo dentro de mim: uma elevadíssima percentagem da música que consumia de forma compulsiva não tinha letra. E como odeio o termo “música instrumental” (como se a outra, a que tem letra, não o fosse!), chamo-lhe só “música sem letra”.

E com isto, com a dependência da música sem letra, começou a passar-me muita coisa ao lado. Da maior parte, não tenho pena, não me arrependo, não sofro. Mas há por aí uns tipos que eu tenho pena de não conseguir deixar entrar, ou pelo, que tem de comer a relva para que os consuma. Entenda-se: consumir não é ouvir na rádio e cantarolar a letra do refrão. É ter o disco, é conhecer a obra, é saber de onde vêm, para onde vão, quem compõe, quem escreve. Consumir música, para mim é conhecê-la, deixar (ou não ter opção mesmo) que ela me incomode.

Sobre o Miguel Araújo, chego a ter pena de o dizer porque acho que o moço tem um talento danado, mas muito provavelmente, lá vai ser mais um que me vai passar ao lado. Não irei ao médico por causa disso, não irei afogar-me em barbitúricos, mas tenho quase a certeza que virei a ter pena de algumas das canções do Miguel Araújo e dos Azeitonas (que são entidades diferentes, ambas em atividade) me passarem ao lado. É que há ali talento. Haverá até um lufada de ar fresco. E tem uma coisa que aprecio imenso: é multi-instrumentista.

Fica aqui uma coisa bem bonita, uma versão de uma música do António Zambujo, interpretada com enorme mestria no ukelele, instrumento ao qual, mais cedo ou mais tarde, terei de ir parar.

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