Querido verão:

Já há alguns anos que noto que andas trapalhão e desorganizado, enfim, de mal com a vida. Eu sei que não achaste muita graça quando esses arautos de sapiência te transformaram num nome comum e te retiraram o privilégio de seres escrito com letra maiúscula (junta-te com os meses do ano e os pontos cardeais e lancem-se as rua em protesto). Deves sentir-te incompreendido, deprimido talvez. Tens estes ataques de pânico em que, de um dia para o outro, resolves descarregar em cima das pessoas e mostrar que estás vivo e bem vivo. Sabes bem que todos nós andamos confundidos com as estações do ano, já ninguém entende onde acaba uma e começa outra. Aos gaiatos quase chega a ser ridículo colocar em evidência as caraterísticas de cada estação do ano. É preciso ter uma pontaria danada para escolher o dia em que escolhemos falar do inverno porque, muitas vezes, lá fora faz sol, os casacos fazem companhia aos cabides e o guarda-chuva parece ser um objeto cada vez mais condenado às lojas de antiguidades.

Eu confesso: eu tenho um problema com estes teus ataques de fúria. Não gosto quando tens uma ereção que resulta nestes números loucos de 40 graus de um dia para o outro. Não gosto de calor a mais e, fosse eu a mandar no mundo, criava um imposto bem elevado apenas para ti, de cada vez que subisses acima dos 30 graus. Talvez assim pensasses duas vezes.

Vê se tens calma, que a malta ainda nutre um carinho muito profundo por ti. Vá, vai lá para o teu alçapão e reflete bem sobre o que te disse.

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