A teimosia de acabar um livro

Ele há livros que é preciso uma dose de teimosia e até masoquismo para ler até ao final! Para mim é simples: quando um livro não provou o que vale até à página 60, ou coisa parecida, é arrumá-lo prò lado, sem ponta de peso na consciência. Ler é suposto ser um prazer e não um suplício. Desta vez foi francamente ao contrário: o livro conseguiu seduzir-me logo nas primeiras páginas e durante muitas das que lhes seguiram agarrou-me com força e não me deixou escapar. As últimas 60 foram lidas à lei da teimosia e por escravidão do peso e fama que a obra carrega em si. Também não restava já curiosidade de saber como acabaria uma vez que o autor já se tinha encarregue de matar as personagens principais. Não me atrevo a referir o nome do livro, nem tão pouco o autor, porque não reconheço em mim qualquer capacidade para poder fazer nem que seja uma “espécie” de crítica literária.

Diz-nos a contracapa que “…é seguramente um dos romances míticos do século XX, uma daquelas raras obras que alteram o modo como toda uma geração observa o mundo que o rodeia”. Bah!

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O mundo precisava de mais um Homem-Aranha? Não, mas agradecemos o novo Peter Parker.

Nos últimos anos, estimulado pelas novas tecnologias que provocaram uma verdadeira orgia de produções cinematográficas até aqui impensáveis, temos assistido a emancipação de tudo o que é super-herói. Definitivamente, se há algum que ainda não saltou das pranchas de banda-desenhada para o grande écran, foi porque ainda não calhou. Já dá para encher uma prateleira de DVD todos alinhadinhos: Hulk, Homem de Ferro, Thor, X-Men, Capitão América, Quarteto Fantástico, Catwoman (nunca o vi mas dizem que é dos piores filmes de sempre), Ghostrider (coisinha tão má e ainda vão fazer um segundo), HellBoy, Demolidor, Watchmen, The Punisher, Batman, Super-homem, Wolverine e até o Lanterna Verde (tão fraquinho).

Em 2002, chegou a vez do Homem-Aranha. Depois do primeiro ainda saíram mais dois. Apenas, dez anos depois, não havendo pretexto para fazer uma sequela, faz-se tudo outra vez a partir do zero em The Amazing Spiderman. Encontramos novamente uma aranha radioativa que dá super poderes a um jovem franzino. Mais uma vez assistimos ao assassinato do tio Ben, por culpa do herói da história que se automutilará emocionalmente até ao fim dos seus dias. Mais uma vez a criação do fato, a descoberta dos poderes e como lidar com eles, a criação do fluído de teia, o fazer gato-sapato do bruta montes lá da escola, ser perseguido pela polícia e por aí fora.

Será que o mundo precisava de outro filme do Homem-Aranha? Daqui a 15 anos talvez. Agora, ainda é cedo. Mas atenção, o filme não é mau. É divertido, bem-disposto, dinâmico e com efeitos especiais muito bem conseguidos. Conta ainda com algumas diferenças curiosas na história relativa ao primeiro filme. Temos uma Gwen Stacy (gira comó raio que a parta) em vez de uma Mary Jane Watson. Temos a classe de Martin Sheen e Sally Field como tios de Peter Parker. Temos Rhys Ifans, um dos atores mais fixes do planeta que é uma pena não ter um papel que lhe permita expor a sua capacidade para o exagero. De qualquer forma, o moço galês já tinha deixado bem claro em Anonymous que é ator para se levar a sério.  Temos a preocupação em saber o que aconteceu afinal aos pais de Peter Parker (aspeto até aqui sempre deixado de fora). E sobretudo, temos um novo Peter Parker. E disso sim, o mundo precisava. Tobey Maguire é um ator sem sal, um caga tacos,  desprovido de sentido de humor, e quase de certeza, com músculos a menos na face do que a maior parte das pessoas, porque a expressão facial dele é paupérrima. Andrew Garfield é cool, tem piada e tem mais do que uma cara, até tem várias. Ora, os puristas do Spiderman dizem que ele é demasiado cool para aquilo que Peter Parker era nos livros de quadradinhos (realmente nunca me lembro de o ver andar de skate) e que Tobey Maguire é muito mais fiel ao verdadeiro Peter Parker.

Assim, o filme não é mau, mas não fazia falta nenhum. Mas ficamos agradecidos por um novo Peter Parker. E talvez até o Spiderman seja mais Amazing.

The Dark Knight Rises – mais um docinho prà malta

A Warner Bros lançou, quando faltam poucos dias para a estreia do The Dark Knight Rises, mais um chupa-chupa para todos aqueles que andam doidinhos para ver a derradeira entrega de Christopher Nolan relativa ao Cavaleiro das Trevas. A fasquia deixada no filme anterior é altíssima. The Dark Knight é, provavelmente, o melhor filme de um super-herói alguma vez feito. Para tal terá contribuído a performance de Heath Ledger que criou um dos maiores “maus da fita” da história do cinema, com uma interpretação colossal (em boa hora o rapaz perdeu a imagem de pastor de vacas que pratica o paneleirismo).

Quanto a The Dark Knight Rises, o que é que podemos esperar? Bom, aos 41 anos Christopher Nolan, não tendo muitos filmes ainda no currículo, já não tem muito a provar. De qualquer forma, podemos esperar quase três horas de filme (160 minutos, pelo que dizem). Teremos um Bruce Wayne/Batman gasto pelos anos e pela pancada. Espera-se um vilão que finalmente consiga mostrar todas as fragilidades de um super-herói que, não esqueçamos, não tem qualquer super-poder. Teremos novamente uma Catwoman (Anne Hathaway num fato justinho preto, cruzes canhoto!) e uma Marion Cotillard (mulher que toda ela é olhos). Teremos a classe e a categoria à parte de Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman. Teremos o sangue novo de Tom Hardy e Joseph Gordon-Levitt. Continuaremos a contar com os desenhos sonoros perturbadores de Hans Zimmer E teremos a despedida de Christian Bale do papel de Batman, o melhor ator a desempenhar o morcego alado.

A expetativa começa a ser enorme: até onde poderá ser The Dark Knight Rises em termos de box office? Segundo os últimos dados do IMDB, The Dark Knight é o 12º filme mais rentável de sempre. O mais rentável de 2012 até ao momento é o The Avengers – já é o 3º filme mais rentável de sempre, atrás apenas de Avatar e Titanic. Aceitam-se apostas. Eu tenho já aqui 20 euros no ar que dizem que The Avengers perderá o seu lugar no pódio.

James Stones e Rolling Bond

Do título apenas se prevê três reações:

Reação 1 – Que idiotice!

Reação 2 – Hum, há aqui qualquer coisa fora do sítio…

Reação 3 – Isto deve ter a ver com os Rolling Stones e com o James Bond.

Qualquer das reações não terá espécie de censura, até porque as reações são como as pilinhas: cada um tem a sua. Mas sim, a ideia é assinalar duas efemérides que marcam o ano de 2012: 50 anos de Rolling Stones e James Bond.

Vamos ao que interessa (façam um esforço para fazer de conta que interessa): semelhanças e coincidências (sendo que a maior parte, aviso já, são bastante forçadas e autênticas pilantrices sem jeito nenhum).

– Ambos são entidades sagradas e ícones que influenciaram inúmeras gerações.

– Ambos foram nascidos e criados da Inglândia, mas chegaram aos 4 cantos do mundo (apesar de a Terra ser redonda).

– Ambos demonstram uma capacidade fantástica para a renovação. No caso dos Stones, dos elementos fundadores dos Stones apenas se mantém Keith e Mick e alguns álbuns são de uma qualidade bastante questionável. Já o James Bond conseguiu sobreviver a 6 atores diferentes, travando a mais dura batalha possivelmente com Timothy Dalton, altura em que 007 era apenas mais um filme de ação que se confundia com tantos outros (os 80’s pariram mais filmes de ação que uma porca que o meu avô tinha lá na terra). Mais recentemente, Daniel Craig (AKA bad ass motherfucker) conseguiu voltar a credibilizar e sarar as feridas de uma doença chamada “foleirice”, provocada por Pierce Brosnan. Portanto, Stones e Bond são sobreviventes.

– Ambos são como os diamantes – parecem eternos. Lol. (os mais letrados terão percebido aqui a piada, aos outros não explico). Ninguém se atreve a prever qual será a última tour dos Stones e o que se faz e fez de James Bond também já vai muito para além do que o Ian Fleming escreveu.

– Ambos são profetas de tecnologias inovadores e a roçar o impossível. No caso dos Stones, palcos carregados de luzes e pirotecnia passível de ser visto do espaço. No caso do James Bond, bom, por onde começar? São os carros que voam, nadam e se tornam invisíveis. São relógios que são bombas, lasers e até tiram cafés. São canetas que são mísseis nucleares e se transformam em cadeiras de praia sempre que um agente secreto precisa.

– Ambos tendem a manter um cuidado escrupuloso com a imagem. Bom, aqui talvez haja algumas diferenças porque nunca vi nenhuma mulher a suspirar pelo Mick Jagger (apesar do homem já ter fabricado 8 filhos de 4 mulheres diferentes, que se saiba).

– E por último (porque não me lembro de mais nenhuma), ambos consideram as mulheres como tinteiros, pneus e escovas de dentes, ou seja…consumíveis. Não existem Stone girls, mas groupies houve mais que bastantes. E Bond, por mais que se esforce, não consegue ver-se rodeado de mulheres isentas de beleza e muitas curvas. Para James Stones e Rolling Bond mulher é “coisa” para se amar e usufruir…mas durante pouco tempo.

PS: pessoas que gostam de mim: aqui fica uma sugestão de oferta para o meu próximo aniversário ou Natal. Também aceito um Aston Martin…

Ana Maria – A maior dor de corno alguma vez cantada

Não me lembro de qualquer outra canção que ilustre melhor a dar de corno, seja em que língua for. O poema é cantado à facada para uma “maldita” Ana Maria e para um amigo “estúpido” que havia jurado a sua amizade. Amiro a capacidade que os Trio Odemira demonstram ao cantar este tema e sorrir ao mesmo tempo. Isto é coisa para se cantar a ranger os dentes e a chispar fogo dos olhos. Mas enfim, depois de uma carreira de mais de 50 anos (!) consegue-se ganhar cara de pau para fazer tudo.

Esta música exerce sobre mim um fascínio que a mim próprio me fascina. Deve ser daquela linha de baixo ou daquele jogo de pratos no refrão ou da repetição incessante desse nome “Ana Maria” ou a própria melodia da canção. Provavelmente será disso tudo. É sempre um perigo retirar versos de um todo, mas não me lembro de ninguém que tenha coragem (sim, é preciso um bom par de túbaros) de entoar uma melodia por cima de frases como…

“como é que eu ia pensar que te irias entregar a esse estúpido que sempre me jurava sua amizade”

“que parvo fui, não entendo como não vi”

“e que estou numa de palhaço sem saber que anda a fazer”

Recentemente, entrei em contato via e-mail com os Trio Odemira (de verdade, cometi mesmo essa loucura!) de modo a conseguir a resposta à questão que sempre me torturou todas as vezes que ouvi este tema: será esta canção autobiográfica? É que a letra é tão desprovida que preocupação estética que só consigo imaginar um daqueles três a chegar ao estúdio de gravações, com um pifo monumental, a letra escrita num guardanapo e uma arma apontada a toda a gente gritando “quero gravar esta merda já!”. Até agora não obtive qualquer resposta…

Mais tarde descobri que, a música não é um original deles. O meu mundo ia acabando. Merda prós anos 80 e a mania de toda a gente roubar tudo a todos! É dum tipo chamado Enzio di Domenico e dá-me ideia que a letra se limita a ser traduzida (faz-me lembrar aquele tipo que anda a cantar nos piqueniques do Continente cujo nome não revelo). Fiquei triste. Afinal a maior dorno de corno alguma vez cantada não aconteceu em terras lusas. Teria sido épico!

Sobre Tom Cruise, Katie Holmes, James Gandolfini, James Spader e ainda podemos acrescentar a Oprah Winfrey

Peguei neste pequeno conjunto de celebridades e despejei-os todos para dentro de um saco de modo a poder observar esta luta de gatos. É fácil prever o vencedor: James Gandolfini. De nada adianta as quatro Missões Impossíveis que Tom Cruise já fez, o James Gandolfini é um Soprano, bolas. O James Spader é pela paz e o resto da malta são gajas, portanto não contam.

(Começo a achar que isto foi uma péssima forma de começar este texto que já de si, devido ao tópico, não parece que vá ter grande credibilidade. Mas tentarei ser breve e, no final, o leitor ficará decerto satisfeito por ter conseguido perceber o raciocínio.)

Vamos por partes. Nos últimos anos, de todas as coisas que vi em televisão, encontrei dois personagens que, na minha pouco humilde opinião, não poderiam, de forma nenhuma, ter sido desempenhados por mais ninguém: James Gandolfini (The Sopranos) e James Spader (Boston Legal). E pumba, uma associação já está feita. Seguindo em frente, vamos acrescentar aqui uma palavra deliciosa que farei questão de colocar a bold: Cientologia (pronto, já boldei). Num dos muitos sublimes desempenhos de James Spader na série Boston Legal, há um que recordo com um sorriso de cagar as orelhas com o baton (que eu não uso, atenção): este que se trata de expor ao ridículo a Cientologia. Aqui…

Brilhante! E não há aqui invenções de factos. A Cientologia sofre mesmo destas chagas todas. É agora que entram Katie Holmes e Tom Cruise (os dois, mas em viaturas separadas e em horários diferentes para não se encontrarem cara a cara). Nos últimos anos aprendi a respeitar este senhor enquanto ator. Acho que fez boas opções na sua carreira e conseguiu demonstrar que não é só um carinha laroca (veja-se o seu desempenho em Magnolia). Tom Cruise, faz hoje 50 anos. Tive conhecimento desta efeméride por meio do meu matutino preferido, o jornal i, através do texto elaborado por Clara Silva (uma delícia). Voltando à vaca fria e acelerando, Tom Cruise faz 50 anos, mas está novamente sozinho, porque Katie Holmes fartou-se de vez das bizarrias (nem sei se esta palavra existe) associadas a este pseudo culto-religião-whatever. O rapaz queria que a filha do casal (Suri, de 6 anos) integrasse um colégio interno com uma disciplina a roçar o militar, um estabelecimento de ensino chamado Sea Org, pertencente à Cientologia. Ora, a Katie Holmes encheu o saco de vez e pegou na mala de cartão qual Linda de Suza. Acho que a mocinha fez muito bem. Não há cú que aguente esta trapalhada da Cientologia e crianças de 6 anos é suposto andarem a rasgar os joelhos e começar timidamente a jogar ao bate-pé atrás do pavilhão (um pouco precoce, talvez). Além disso a mocinha, tem um sorriso bem bonito, 33 anos, o que faz com que ainda esteja bem dentro do prazo.

O leitor mais atento (mas ao mesmo tempo, o menos informado) estará a pensar: e onde entra a Oprah no meio disto tudo? Ora, é fácil: a mítica aparição de Tom Cruise no programa da african-american mais conhecida do planeta, após o anúncio do noivado entre estes dois atores. Ora veja…

Isto é de gente insana! Eu já vi felicidade, eu até já fui feliz. Mas isto? O homem só podia ter atingido o Nirvana. Ups, não. Duvido que a Cientologia (boldei novamente) tenha alguma relação com o Nirvana.

E pronto. Todas as associações feitas. Não doeu pois não?

The Sopranos – um conjunto de sons e de silêncios

Nos últimos meses dediquei muitas horas a seguir de enfiada todas as temporadas dos Sopranos. Ontem cheguei ao fim desta epopeia, sem levar nenhum tiro, sem ser extorquido em qualquer centavo, sem ser intimidado por qualquer um dos capitães para entregar o meu dízimo num envelope. Mas nem sempre me senti seguro, confesso que houve alturas em que temi pela minha integridade física. O casting é de tal forma perfeito que eu estou disposto a admitir: estas pessoas existem mesmo! A violência, quando existe, é feita de instantes decisivos. No fundo, tudo se resolve a bem, que é como quem diz, com um balázio nos cornos de alguém que aparece do nada.

Mas os Sopranos não é só sobre os negócios obscuros da Cosa Nostra. Há ali valores, há família, há cuidar dos nossos e dos que já não podem, há sensibilidades feridas aqui, mesmo até os homens, que são bad-ass-motherfuckers do pior, também choram. Depois há ataques de pânico e relações complicadas com mães, assuntos de gente crescida discutidos sempre em frente a uma terapeuta de perna traçada. E nós sempre a pensar “afinal quando é que ele lhe salta para a espinha?”.

Tony Soprano é uma bomba-relógio ambulante, um incompreensível sedutor peludo e gordo que acaba sempre com as gajas boas todas, um manequim para camisolas interiores de mau gosto, um putanheiro que se safa sempre, um ser em conflito. James Gandolfini e Tony Soprano são apenas uma pessoa, porque se o homem não manda mesmo na corja toda de New Jersey é porque não quer. Não é respeito, é medo mesmo de quem se pela todo!

Depois há as alusões constantes ao Padrinho, ao Goodfellas, ao Scarface. E não há receio nenhum de as fazer, porque não pode haver. Se nós as fazemos, porque não hão de eles fazê-lo?

Os Sopranos são um enorme conjunto de sons e de silêncios. A banda sonora é mínima, os diálogos são intensos e muitas vezes incendiários, à bruta mesmo, mas raramente acompanhado de “banda sonora”. Mesmo as cenas de tensão, de punhada, de tiros, bombas e socos nas trombas, que geralmente não dispensam um conjunto de instrumentos para lhes fazer a cama, aqui estão entregues a si mesmos. Os diálogos, a realização, a linguagem corporal, a ausência de censura na linguagem, tudo isso que se desenrasque sozinho, porque não há lá temas-tipo-suspense para os ajudar.

Silvio, vou ter saudades da tua expressão facial de desenho animado e de te ouvir a imitar o Al Pacino “just when i thought i was out they pull me back in” ou “our true enemy has yet to reveal himself”.

Christopher, vai fazer-me falta a tua atitude de “rebento-te os queixos já aqui nem que tenhas o triplo do meu tamanho”.

Paulie, vou ter saudades das tuas madeixas laterais e do teu risinho irritante.

Porque é que os Sopranos é uma das melhoras séries de sempre? Porque é real, é sobre a vida, como ela é. Os adornos são mínimos. A série é enfeitada apenas por atores fantásticos, uma história bem contada e silêncios, muitos silêncios. E basta!