Ana Maria – A maior dor de corno alguma vez cantada

Não me lembro de qualquer outra canção que ilustre melhor a dar de corno, seja em que língua for. O poema é cantado à facada para uma “maldita” Ana Maria e para um amigo “estúpido” que havia jurado a sua amizade. Amiro a capacidade que os Trio Odemira demonstram ao cantar este tema e sorrir ao mesmo tempo. Isto é coisa para se cantar a ranger os dentes e a chispar fogo dos olhos. Mas enfim, depois de uma carreira de mais de 50 anos (!) consegue-se ganhar cara de pau para fazer tudo.

Esta música exerce sobre mim um fascínio que a mim próprio me fascina. Deve ser daquela linha de baixo ou daquele jogo de pratos no refrão ou da repetição incessante desse nome “Ana Maria” ou a própria melodia da canção. Provavelmente será disso tudo. É sempre um perigo retirar versos de um todo, mas não me lembro de ninguém que tenha coragem (sim, é preciso um bom par de túbaros) de entoar uma melodia por cima de frases como…

“como é que eu ia pensar que te irias entregar a esse estúpido que sempre me jurava sua amizade”

“que parvo fui, não entendo como não vi”

“e que estou numa de palhaço sem saber que anda a fazer”

Recentemente, entrei em contato via e-mail com os Trio Odemira (de verdade, cometi mesmo essa loucura!) de modo a conseguir a resposta à questão que sempre me torturou todas as vezes que ouvi este tema: será esta canção autobiográfica? É que a letra é tão desprovida que preocupação estética que só consigo imaginar um daqueles três a chegar ao estúdio de gravações, com um pifo monumental, a letra escrita num guardanapo e uma arma apontada a toda a gente gritando “quero gravar esta merda já!”. Até agora não obtive qualquer resposta…

Mais tarde descobri que, a música não é um original deles. O meu mundo ia acabando. Merda prós anos 80 e a mania de toda a gente roubar tudo a todos! É dum tipo chamado Enzio di Domenico e dá-me ideia que a letra se limita a ser traduzida (faz-me lembrar aquele tipo que anda a cantar nos piqueniques do Continente cujo nome não revelo). Fiquei triste. Afinal a maior dorno de corno alguma vez cantada não aconteceu em terras lusas. Teria sido épico!

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