Brando Fel – Houve festa na Baía de Cascais

Os Brando Fel atuaram na passada quarta-feira nas Festas do Mar, em plena Baía de Cascais. Foram a banda de abertura para o André Sardet, artista que continua a arrastar multidões sem se perceber muito bem porquê. Habituados a palcos mais modestos, não se fizeram rogados ao chão que pisavam, nem tão-pouco se deixaram intimidar. Os Brando Fel aguardam ainda a descoberta por parte de muitos, mas já se nota o calo, a estrada e os anos em cima. E o público, que sorvia pela primeira vez o doce fel dos Brando, foi disso mesmo testemunha. Alguns terão mesmo esquecido por instantes que tinham ido lá para ver o André Sardet (quem?). Subiram ao palco ao som do tema “Piano”, um dos segredos bem guardados a descobrir no primeiro longa-duração a estoirar lá para novembro, para logo a seguir arrancarem com “Má Fama”. Fizeram desfilar chapéus que não têm três bicos (“O meu chapéu”), agarraram o público e levaram-no até ao seu “Cais Assombrado”, parando em Entrecampos para contar a história da Baronesa que por lá descobriram. “Fortuna” (o primeiro single?) é um tema fortíssimo e foi escolhido para dizerem um “até já“ ao muito público que se acotovelava junto ao palco. Saíram do palco sob um coro de palmas e urros sinceros.

Nos 45 minutos que se mostraram a Cascais, os Brando Fel mostraram que são uma banda de canções. Canções que não se esgotam nas dez primeiras vezes que as ouvimos, construídas por várias camadas de betão e ferro armado que não cedem ao primeiro sopro de lobos malvados, com espaço para o ouvinte se encaixar nos versos intensos e carregados de istos e aquilos que alguns pensam estar à vista de todos. E não se deixam assustar pela escrita em português: é opção assumida.

A conclusão épica da trilogia Batman e Nolan

E, enfim, chega às salas portuguesas a última entrega de Christopher Nolan ao Cavaleiro das Trevas. O advento deste capítulo carregava em si um peso quase insustentável: dificilmente poderia ser melhor que o seu predecessor, mas, acima de tudo, não podia derrapar, marcando pela negativa um percurso marcante na indústria cinematográfica. Nolan conseguiu devolver ao Batman o seu devido lugar no lugar mais alto do pódio dos super-heróis e seria preciso quantidades industriais de desleixo ou mau gosto para conseguir estragar tudo. Tim Burton abriu a porta em 1989, para depois chegar Joel Schumacher e conseguir estragar tudo fazendo o mais difícil: maus castings, cores por todo o lado, péssimas histórias, exageros pouco credíveis. Enfim, o homem também não acerta em quase nada, assim não desapontou ninguém.

The Dark Knight Rises acaba por ser um filme muito bom. Uma vez mais Christopher Nolan revela o seu superpoder: o de ser um perfeito construtor de camadas, no que toca a contar uma história. Tijolo por tijolo, The Dark Knight Rises mostra a fragilidade de um super-herói como nunca antes foi feito. Afinal, nem Batman nem Bruce Wayne são para sempre e lembramo-nos enfim que o herói não passa de um homem normal que conta com artes marciais, muito dinheiro, inteligência e muitos brinquedos como superpoderes. Bane é um mau da fita à altura e não fosse a necessidade de respeitar o universo DC, talvez Nolan tivesse ido mais longe. Anne Hathaway é excelente, seja como Selina Kyle, seja como Catwoman. Depois continua o triunvirato maravilha Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman. Não é só o estatuto – de facto, estes senhores têm muita dificuldade em fazer alguma coisa de errado. Continuam a ser a bússola moral que indica ao nosso herói os limites do razoável e do bom senso, sendo ao mesmo tempos os providers.

Há uma diferença  evidente entre o segundo e terceiro capítulos: o vilão e o seu objetivo. Joker é insano, um auto declarado agente pelo mal, alguém que tem apenas um desejo profundo e genuíno de ver o mundo a arder. Bane tem uma agenda muito bem definida e sabe para onde quer ir e como lá chegar. Joker prefere chafurdar no caos e isso torna-o muito mais interessante.

Tenho cá para mim que, tão cedo, dificilmente alguém terá a coragem de voltar a pegar no Batman e voltar a adaptá-lo ao cinema (contrariamente ao Homem-Aranha e ao Super-Homem, por exemplo). Foi tudo contado, o princípio, o meio e o fim, desenhado numa trilogia que ficará para a história do cinema. Mas já me tenho enganado…

Uma nota final para saudar que, apesar de um bilhete de cinema já custar mais de seis euros, foi bom ver um sala esgotada numa noite de estreia.

The Dark Knight Rises – 4 estrelas

Raisparta os pombos!

Não suporto pombos! É um bicho desprovido de qualquer beleza, sujo, que espalha doenças e que tem sérios problemas nos esfíncteres, defecando em qualquer lado sem respeito pelo próximo. Não tenho qualquer problema em confessar que, se for de carro e vir acampados no meio da estrada meia dúzia destes exemplares, a minha tendência é acelerar em vez de travar, na esperança de esborrachar um ou outro (mantendo a tradição, os estupores safam-se sempre à última da hora).

Há dois dias atrás fui lavar o carro, coisa que não faço assim com tanta frequência (talvez um dia, quando me devolverem as chaves do meu Aston Martin, tenha mais cuidado nesse campo). Pois que agradável surpresa quando descobri hoje que durante a noite algum bando (que aquilo parece-me trabalho de equipa) conseguiu decorar-me o carro, com toda a merda que tinha no seu interior, de um lado e do outro, à frente e atrás (tive sorte não ter sido por dentro e por fora). Ah, alegria! Não sei que ácido terão estes bichos no estômago, mas tenho até já marcas na pintura do carro que já não saem.

Tenho que agradecer também às minhas vizinhas, cuja idade não trouxe grandes divertimentos, que aproveitam sempre os intervalos da Júlia Pinheiro, para lançar mais uma refeição de pão duro e arroz, que continuam assim a fazer da minha praceta uma estância de luxo e local de paragem obrigatória para estas aves sempre prenhas de merda.

A festa dos Jogos Olímpicos e as não-medalhas dos Tugas

Gosto dos Jogos Olímpicos. Gosto desta festa do desporto que faz lembrar muita gente que há vida para além do futebol. Gosto das cerimónias de abertura megalómanas e estupidamente criativas (a de Pequim foi a coisa mais grandiosa a que já assisti na vida). Gosto sempre do momento em que se acende a pira olímpica e a luta por surpreender o mundo na forma como  tal é feito. Guardarei para sempre esse momento nos jogos olímpicos de Barcelona, em que um qualquer Robin Hood espanhol lançou uma seta de dois quilómetros de distância. Retenho ainda cada tremor de Muhammad Ali em 1996.

Gosto dos heróis dos jogos. Gostos dos Michael Phelps, dos Mark Spitz, dos Usain Bolt, das Nadia Comaneci, das Larisa Latynina e dos Carl Lewis. Gosto das curiosidades e das gafes. Gosto de saber que as chaves de Wembley andam desaparecidas, que o Paul McCartney cobrou apenas uma libra por ter participado na cerimónia de abertura e das bandeiras erradas nos pódios.

Gosto de ver natação, saltos para a água, gente a tentar correr mais rápido que todos os outros e ginastas que parecem ter super poderes nas argolas e nas barras paralelas e assimétricas. Depois há aquelas coisas menos entusiasmantes como tiro, luta greco-romana, saltos de cavalinho e remo.

Chateia-me, no entanto, estar sempre a receber a mesma notícia todos os dias relativamente aos atletas portugueses: “sujeito-tal-português eliminado na primeira ronda”, “pessoa-que-pratica-o-desporto-e-que-é-tuga não vai além das meias-finais”. É sempre a mesma merda todos os dias! Eu tenho respeito por esta gente que dedica a vida ao desporto. Na maior parte dos casos são carreiras curtinhas, ingratas e para as mulheres então nem se fala: o desporto chupa-lhes as mamas todas, arranca-lhes todas as gramas de carninha onde um homem gosta de agarrar e, não raras vezes, dá-lhes um aspeto demasiado masculino que faz com que muitas fiquem para tias.

Mas porra, para variar já ouvíamos o nome de um português associado a uma merda de uma medalha! E o que mais chateia é que nesta altura, se tal acontecesse, essa seria a verdadeira surpresa e muitos diriam “o quê? conseguimos uma?”.