A festa dos Jogos Olímpicos e as não-medalhas dos Tugas

Gosto dos Jogos Olímpicos. Gosto desta festa do desporto que faz lembrar muita gente que há vida para além do futebol. Gosto das cerimónias de abertura megalómanas e estupidamente criativas (a de Pequim foi a coisa mais grandiosa a que já assisti na vida). Gosto sempre do momento em que se acende a pira olímpica e a luta por surpreender o mundo na forma como  tal é feito. Guardarei para sempre esse momento nos jogos olímpicos de Barcelona, em que um qualquer Robin Hood espanhol lançou uma seta de dois quilómetros de distância. Retenho ainda cada tremor de Muhammad Ali em 1996.

Gosto dos heróis dos jogos. Gostos dos Michael Phelps, dos Mark Spitz, dos Usain Bolt, das Nadia Comaneci, das Larisa Latynina e dos Carl Lewis. Gosto das curiosidades e das gafes. Gosto de saber que as chaves de Wembley andam desaparecidas, que o Paul McCartney cobrou apenas uma libra por ter participado na cerimónia de abertura e das bandeiras erradas nos pódios.

Gosto de ver natação, saltos para a água, gente a tentar correr mais rápido que todos os outros e ginastas que parecem ter super poderes nas argolas e nas barras paralelas e assimétricas. Depois há aquelas coisas menos entusiasmantes como tiro, luta greco-romana, saltos de cavalinho e remo.

Chateia-me, no entanto, estar sempre a receber a mesma notícia todos os dias relativamente aos atletas portugueses: “sujeito-tal-português eliminado na primeira ronda”, “pessoa-que-pratica-o-desporto-e-que-é-tuga não vai além das meias-finais”. É sempre a mesma merda todos os dias! Eu tenho respeito por esta gente que dedica a vida ao desporto. Na maior parte dos casos são carreiras curtinhas, ingratas e para as mulheres então nem se fala: o desporto chupa-lhes as mamas todas, arranca-lhes todas as gramas de carninha onde um homem gosta de agarrar e, não raras vezes, dá-lhes um aspeto demasiado masculino que faz com que muitas fiquem para tias.

Mas porra, para variar já ouvíamos o nome de um português associado a uma merda de uma medalha! E o que mais chateia é que nesta altura, se tal acontecesse, essa seria a verdadeira surpresa e muitos diriam “o quê? conseguimos uma?”.

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