O casamento do meu melhor amigo (ou a receita infalível para um casamento de sucesso)

Eu nem sou de casamentos, tenho até medo deles. Eu nem sequer fui ao meu casamento! Por norma vejo-os como dias demasiados grandes, demasiado cheios de gente, demasiado previsíveis. Chateiam-me as imensas horas sentado à mesa, bastas vezes com pratos servidos junto a pessoas que mal conheço. Causam-me náuseas e urticária aqueles ridículos leilões da liga da noiva e dos fanecos de gravata do noivo. A partir de certa idade os casamentos são como os funerais: tornam-se num ponto de encontro para as pessoas que deixamos de ver com frequência. Toda a gente traz um saco cheio com as perguntas mais chatas do mundo: “Então, como estás?”, “O que é que tens feito?” ou “Como anda a tua vida?”. As respostas são por norma igualmente desinteressantes e enfadonhas. Ou talvez seja eu que tenha mau feitio…

O casamento do meu melhor amigo mostrou-me que, com os ingredientes certos, é possível cozinhar uma festa de arromba e dar-lhe o rótulo de “casamento”.

Convidem-se apenas os amigos e familiares mais próximos. Em caso de dúvida em convidar ou não determinada pessoa, a resposta certa é não convidar.

Obrigar todos os convidados a repensar o seu dresscode: gravatas, sapatos desconfortáveis, calças vincadas e vestidos demasiado formais, é deixá-los ao abandono em casa, à espera do próximo casamento chato. Colarinhos ao léu, ténis e Doc Martin’s, gangas (um casamento a roçar o casual e o pseudo-hipster).

A comida não precisa de ser em excesso para impressionar os convidados. Precisa sim de ser a suficiente e de ser boa.

A festa nunca deverá começar antes das quatro da tarde. As senhoras escusam de marcar o cabeleireiro e as unhas às 6 da manhã, os homens podem dormir até tarde para recuperar da celebração de mais uma vitória do Benfica na noite anterior. Com a noite bem dormida, toda a gente terá energia para bailar até o álcool não deixar mais ou até a quinta querer fechar as portas.

Os animais de estimação? Desde que não sejam daqueles que comem pessoas ou que não saibam estar calados, é trazê-los também com laço atadinho ao pescoço e banhinho tomado.

Esqueçam o tormento da fila com senhas para tirar fotografias. A opção é um fotógrafo inteligente e com bom olho. As boas fotos são feitas de momentos que acontecem porque sim. Tragam-se acessórios para explorar o lado ridículo e estouvado que mora em cada um de nós.

Em querendo organizar uma surpresa para os noivos, faça-se de vez o funeral à projeção de fotografias em powerpoint, aos teatrinhos tolos com piadas que só meia dúzia percebe, às versões fofinhas e apimentadas das musiquetas habituais. Em vez disso opte-se por um flashmob com o maior número de gente possível. Mesmo com passos falhados e gente que quer acompanhar à força sem ter ensaiado, o efeito visual será inolvidável para os recém-casados.

As crianças são fofinhas mas inspiram cuidados trabalho e cansam. Há quem diga até que os bebés são pessoas horríveis porque só sabem pedir. O melhor é deixá-los com os sogros para que a única preocupação seja mesmo encher a cara e dançar in the evening to the sun.

Cabe ao noivo desenvolver um par de túbaros e cantar uma música a solo e sem rede, com um refrão daqueles bem bonitos em que até os convidados possam participar sem roubar protagonismo. A considerar, a colaboração das madrinhas com bailarinas de cabaret, sobretudo se tiverem saias curtas e amor para dar.

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