Marius no país das maravilhas

Então deixa lá ver se percebi bem.A Dinamarca, em 2013, ganhou o Oscar para” o país mais feliz do mundo”. Tem elevados índices de saúde, educação, esperança média de vida, rendimento per capita, perceção da corrupção, segurança, liberdade e outras cenas do género. A sua filosofia baseia-se na regra dos três oitos:  8 horas de trabalho, 8 horas de lazer e 8 horas de repouso. Parece-me uma bela ideia. Há uma preocupação imensa em proporcionar a melhor qualidade possível de formação e educação aos jovens e toda a gente faz vénias à sua qualidade de ensino. Tal e qual o meu país…É considerado o 7º melhor país do mundo para se viver. Terra do Hans Christian Andersen e Lars Ulrich (sim, o rapazinho que toca bateria nos Metallica) e até já foram campeões europeus de futebol.

Portanto, o dinamarquês é um daqueles meninos bem, com um nome cheio de consoantes e que nasce de cú virado para a parte mais brilhante da lua. Rapa frio e tem de importar luz solar, mas é feliz à brava e tem muita coisa boa para compensar a falta de melanina.

O que é que faltava ao individuo dinamarquês para ser ainda mais distinto e causar ainda mais inveja? Naturalmente, matar girafas a tiro, escancarar-lhes a carcaça à frente de crianças e aproveitar os restos para dar aos leões. Agora sim, o dinamarquês está tão feliz que é vê-lo a correr todo pelado na rua, com a pilinha murcha do frio. Mas como é que ainda ninguém se tinha lembrado disto? Eu aposto que já chegaram sugestões destas a São Bento, mas eles não fizeram caso.

De maneiras que foi isto. Marius era uma girafa de 18 meses, feliz, com elevado índice de saúde, baterista e com Mestrado em Gestão de Empresas. Mas o raça da moça tinha um defeito (coisa rara naquele país): geneticamente sofria de cenas ao nível de consaguinidades. Traduzindo, ela era normal demais. Coitada. E por isso, para evitar que ele procriasse outras girafinhas demasiado normais, optou-se pela solução mais evidente: toca de matar a bicha. Mas matar ao nível de morte? Matar ao nível da morte, pois que sim. A seguir, esquartejar a bicha em frente a adultos e crianças vindas de várias escolas e dar os restos em ação de graças aos leões, mais habituados a feno e ração. Já vi fazerem-se programas de tv por menos, porque sangue, facalhões e girafas é receita mais que certa para horário nobre e elevados índices de audiência.

E soluções para evitar isto, havia? A saber:

Hipotése A: valorizar as 27 mil pessoas que assinaram uma petição para evitar a chacina.

Hipótese B: entregar a pescoçuda a um dos zoos da Europa que se ofereceram para a receber.

Hipótese C: aceitar a oferta de meio milhão de euros de um particular disposto a comprá-la para evitar a sua imolação.

Isto realmente, quando há falta de opções…

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