Crise até na criminalidade: estamos mesmo a bater no fundo

O Relatório Anual de Segurança Interna apresentado ontem mostra números que me deixam profundamente embaraçado enquanto português. Ao que parece, 2013 foi o ano em que a criminalidade atingiu o valor mais baixo da última década. Isto espoleta em mim um sentimento de vergonha desmedido, ai espoleta, espoleta. Então mas já nem na prática da ruindade nós conseguimos apresentar números decentes? Mas onde é que este país vai parar?

Homicídios, desceu. Roubos por esticão na via pública, desceu também. Ofensas à integridade física, uma tristeza. Assaltos a ourivesarias, uma vergonha. Roubos de viaturas, números deprimentes. Não me digam que são as forças de segurança que, sem aviso, se tornaram mais eficientes? Não, a mim não me enganam com essa. Estamos a bater no fundo e essa é que é a verdade. Eu bem vejo as filas de delinquentes deprimidos à porta dos consultórios.

Mas, apesar deste surto que abala o mundo do crime, ainda há esperança. Os números apontam para aumentos nos roubos a postos de abastecimento, em transportes públicos e a estações de CTT. Junte-se ainda o aumento considerável na violência doméstica, mas estes números até eram escusados. Se tivermos em conta todas as derrotas que o Benfica teve o ano passado, naturalmente que uma boa parte das causas da crueldade no lar ficam mais que identificadas. A outra parte, deve-se, como é óbvio, à diminuição da criminalidade. Este é um problema real, mas ninguém fala nisto. Com naturalidade, o criminoso, não tendo sucesso na sua atividade profissional, tem de chegar a casa e arrear em alguém.

“Filho, vai para o teu quarto que o teu pai está a chegar com cara de quem não conseguiu assaltar a repartição de finanças. Enche o balde e põe a esfregona a jeito para eu limpar a sujeira no final.”

“Mulher, vai-te pondo apta para seres vilipendiada que eu ia para matar o Saraiva à sacholada, mas tive um ataque súbito de consciência.”

 “Mor, traz-me os chinelos, uma cerveja e o cinto que eu preciso de agredir. Mais um dia em que nem passei da porta da relojoaria do Sr. Pinto.”

 

Só não vê quem não quer.

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