Propostas para a nação: autocarros para gaijos, gaijas e velhas

Com um certo orgulho e desprovido de qualquer preconceito, proponho-me a acabar de vez com vários flagelos só de uma assentada. Tenho andado a mastigar e acredito estar em condições para finalmente cuspir a solução para acabar com a poluição nas grandes cidades, o trânsito caótico e o isolamento da terceira idade.

Para mim a solução está nos autocarros. Reconheçamos: usamos e abusamos do transporte privado em prejuízo do transporte público. Admitamos os nossos pecados, mesmo que isso signifique uma vintena de Avé-Marias. O que nos falta é evidente: estímulo. O cidadão não se sente estimulado a optar pelo autocarro. “Não, vou de carro. Não estou para aturar filas, velhas, maus-cheiros e horários feitos por terceiros”. Donde, em não havendo estímulo é necessário gerá-lo. Eis tudo: designar gajas boas e curvilíneas para motoristas. De igual forma, aumentar o número de fiscais de validação de títulos de transporte, vulgo “picas”, mas claro, em fêmeas, com fardas justas, seios a pular das camisas, botas de cano alto a envolver meias de rede e saias curtas. Mas tudo com bom gosto, não é cá badalhocas. É impossível que isto não contribua para o aumento do uso do transporte coletivo.

O leitor já estará a pensar “sim senhor, como é que ainda ninguém tinha pensado nisto?”. Pois, mas há que ver as diferentes perspetivas da coisa. É que isto de ter grandes febras a conduzir autocarros não resolve tudo: e as mulheres? A maior parte dos utilizadores de transportes públicos são do sexo feminino. Excetuando para a cidadã lésbico-fonga, é preciso encontrar novo estímulo. A solução parece-me evidente: criar toda uma rede de autocarros que varie em género. Autocarros masculinos e autocarros femininos. Aí o tendes. O macho apanha o autocarro da febra assanhada e a fêmea passa a ter toda uma oferta de veículos que disponibilizem um daqueles bombeiros de calendário ou um polícia que faz horas extraordinários em despedidas de solteira.

“Brilhante!”. Oh, parem lá com isso que me deixam encabulado e sem jeito…

Atrevo-me ainda a acrescentar mais uma variante. É que se para os machos de todas as idades uma gaja boa é sempre uma gaja boa, não creio que as velhas com a líbido em decadência se sintam motivadas o suficiente com homens bem constituídos de farda. Então demos às velhas aquilo que as velhas mais gostam: salas de espera de centros de saúde. Vamos criar uma frota de autocarros forrados a azulejos dos anos 70, instalados com colunas de som que reproduzam gemidos de dor e promovemos concursos de doenças. E nem sequer é preciso designar destino para essas viaturas porque, no fundo, as velhas não querem ir para lado nenhum – só querem mesmo lá estar. “Coitados dos motoristas escalados para estas carreiras”. Nada disso. Passam a ser motoristas surdos, não sofrendo assim qualquer incómodo do dói-me aqui, dói-me ali.

“Este homem é um visionário”. Se vocês o dizem…

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