Aconteceu-me numa loja dos chineses

Há dois dias fui a um desses bazares empanturrados até ao teto de bugigangas cujo prazo de validade é costume ser, no mínimo, caprichoso. Depois de ter perdido algum tempo no labirinto de corredores cheios de coisas que me diziam “compra-me que ainda te vou dar jeito”, achei melhor pedir ajuda a um dos funcionários para encontrar rapidamente o que pretendia antes que me metesse em despesas tragico-cómicas. Dirigi-me a um indivíduo que só podia ter saído de uma linha de montagem de uma fábrica de sotaque asiático.

– Desculpe, onde é que eu posso encontrar sacos de papel?

Ele respondeu-me num sotaque europeu imaculado e com a cara toda de esguelha:

– Porra, já é a terceira vez que me perguntam se eu sei onde fica alguma coisa.

Alçou da voz e acrescentou:

– Eu não trabalho aqui, bolas!

Atrapalhei um pedido de desculpas e enfiei-me no primeiro corredor que encontrei.

Eu tenho lá culpa desta merda? Que eu saiba a farda de trabalho dos empregados das lojas dos chineses são os olhos em bico, não há outra forma de os distinguir. Mais a mais, alguém alguma vez viu algum indivíduo de fendas palpebrais acentuadas a gastar dinheiro numa loja “made in china”? Com certeza, que não. Só faltava ele ter respondido “eu não sele chinês, eu sele japonês” (pessoas com menos de 30 anos dificilmente vão compreender a piada).

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