Whigfield não sabe nadar, yoh

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Esta coisa das efemérides cada vez me aborrece mais. Eu não tenho problema com os 40 anos do 25 de abril, não quero saber do centésimo aniversário da Federação Portuguesa de Futebol e também não andei aí de pau feito quando os Beatles comemoraram 50 anos de estreia na televisão americana. Nada disto me incomoda por uma razão simples: eu não era vivo quando estas coisas aconteceram. O que me faz realmente pruído no céu da boca são os “foi há 25 anos” ou os “faz hoje 20 anos”. É que, nessa altura, eu era um adolescente. Não era um adolescente feliz, mas era um adolescente. E isso foi a semana passada, não foi há 20 anos, catano! Ainda não sei qual vai ser o êxito de verão deste ano, tenho até esperança de que não haja nenhuma. Mas recordo-me bem quais foram dos sucessos “musicais” do verão de 1994: Saturday night da Whigfield, e Não sabe nadar, dos Black Company. Sim, já passaram mesmo 20 anos. Enquanto cá andaram, estas duas “canções” fizeram todos os estragos possíveis e imaginários e não contribuíram em nada para que eu fosse um adolescente um pouco mais feliz. Mais: sentia-me ainda mais cool abaixo de zero porque, aparentemente, os meus neurónios eram os únicos que não libertavam endorfinas cada vez que se ouvia “dirirarara”.

Não sei o que será feito destes artistas, mas tenho esperança que Sannie Carlson (o nome de batismo da Whigfield) trabalhe, algures na Dinamarca, numa loja de pronto-a-vestir nos dias de semana e, aos domingos, faça uma perninha no “Esta cara não me é estranha” na tv local. Já os Black Company, depois de terem largado a primeira grande bomba hip-hop tuga, calculo que metade deles tenha morrido num tiroteio de gangues rivais e a outra metade esteja ainda a completar o último ano de formação em carpintaria na prisão de Caxias.

Se o Não sabe nadar está, em definitivo, morto e enterrado em betão e gravilha, ocasionalmente, nos clubes noturnos frequentados por mal-amados e nos casamentos animados por DJs com mais de 30 anos, ainda é possível assistir a danças de roda em que o “dirirarara” funciona como botão de boost. Felizmente, em 94, ainda não existia nem facebook, nem youtube, nem mp3 (mas existia Rádio Cidade), donde, estas duas pandemias, uma delas mais condicionada às fronteiras nacionais, foram mais ou menos controladas em pouco tempo.

 Aproveito para avançar que a Macarena fará 20 anos no próximo ano. Temos um ano para nos preparar e evitar a surpresa e o emprego do advérbio aparvalhado “já?”.

 

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