Os idiotas da democracia

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Na Grécia antiga, a palavra “idiota” era um rótulo atribuído aos indivíduos que se preocupavam apenas com os seus próprios assuntos, deixando de parte todos os interesses públicos da época, como o teatro ou a política. Nos dias que correm, a palavra “idiota” é esticada a variados contextos, mas continua associada a esse lugar chamado “democracia”. A democracia é, agora, um aterro sanitário onde são despejados camiões e camiões de idiotas.

Há os idiotas que pensam que somos todos idiotas. Mas também há uns quantos que, não sendo idiotas, se fazem de idiotas. Alguém perguntou pelos idiotas que fazem questão de apoiar outros idiotas? Também os temos. Depois há os ajuntamentos de idiotas, que são os idiotas que fazem coligações com outros idiotas. Vão todos vestidos a rigor para “a festa do idiota”. Acrescente-se ainda os idiotas que já foram idiotas no poder e agora são idiotas fora do poder.  Por outro lado, também temos os idiotas que não votam porque acham que votar é uma ideia idiota. Temos os idiotas que se deixam convencer por outros idiotas e ainda disfrutamos dos que se sentem idiotas depois de ter votado num idiota que não parecia sê-lo, mas acaba por se revelar ainda mais idiota que todos os outros idiotas.

Depois, há os super-idiotas. Também há quem lhes chame “filhos da puta”. São assim, uma espécie de super-vilões da democracia. Há muito mais idiotas do que super-idiotas e muitos idiotas juntos não fazem um super-idiota. Podemos até juntar um Passos Coelho, com um Sócrates, uns raminhos de Cavaco, uma calda de Guterres, uma marinada de Paulo Portas e dois dentes de Alberto João Jardim e ainda assim não conseguimos um super-idiota. Nem com uma Bimbi conseguimos um Jean-Marie Le Pen.

Das vísceras fétidas já com 85 anos, este super-idiota da extrema-direita francesa apresentou a mais óbvia solução para acabar com a explosão demográfica que representa um problema para o mundo e para a França. Ele tem a solução para “a substituição da população natural” provocada pela “invasão migratória”. A ameaça da “vocação conquistadora” dos muçulmanos “principalmente quando se sentem fortalecidos pelos números” tem cura. Cito: “O Sr. Ébola é capaz de resolver tudo isso em três meses”.   Eu nunca fui a França, mas acredito que haja por lá muitos idiotas. Ao que parece, a Frente Nacional, partido liderado por Marine Le Pen, a filha do super-vilão, regurgitada das hemorroidas do velho, vai ganhar as eleições europeias deste domingo por uma margem de 20% em relação aos restantes partidos franceses. Há uns anos vi uma entrevista do António Lobo Antunes em que ele se perguntava “porque é que os filhos da puta duram tantos anos?” Porquê? Porque há tantos idiotas.

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