Por falar em fim de semana

Podem ler aqui a minha crónica no site chuto.pt que faz a antevisão do prognóstico da previsão do que acontecerá neste fim de semana a nível futebolístico.

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Verão Total: o guarda do parque

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– Boa tarde. Olhe, eu não tenho moedas. Tem troco de 20 euros?

– Não.

– E tem multibanco?

– Também não.

– Tenho Via Verde. Serve?

– Não.

– Aceita um vale de 30 euros da FNAC?

– Não.

– Uma senha de almoço da cantina da Lusófona?

– Não.

– Dois bilhetes para ir com a mulher à bola?

– Não.

– Um cartão do Continente com 8 euros de saldo?

– Não.

– Um pêssego e meia garrafa de água morna?

– Não.

– Meio maço de tabaco e um isqueiro dos pequenos?

– Não.

– Um felácio da minha mulher?

-Não.

– Um felácio meu?

– Não.

-…

-…

– Ouça lá, senhor está coletado nas finanças em que categoria?

– Pode seguir amigo. Vá com Deus.

 

 

Mais sobre Verão Total (topless e metrossexuais) aqui

 

Bardarbunga

Melhor nome de sempre para um vulcão. Soa meio a ordinarice, o que, segundo especialistas de marketing, fica sempre no ouvido. Podia ser nome de jogo de criança. Bem melhor do que Beyblade.

– Vamos brincar ao Bardarbunga?

Era um nome tão bom para bolo de pastelaria que, se caísse ao chão, podia claramente quebrar a regra dos três segundos. Não havia micróbio com coragem suficiente para o emporcalhar.

– Bolo no chão! Quem vem comigo?

– É um Bardarbunga. Eu não vou, vai tu.

Acho que já ia sendo altura de algum fenómeno natural provocar um universo distópico de vez. Se, de facto, alguma coisa vai acabar com a civilização por mim era o Bardarbunga.

(Não consigo parar de dizer esta palavra. Bardarbunga. Bardarbunga. Bardarbunga.)

Ainda não estou preparado para fazer as pazes com a Miley Cyrus

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  1. Acho que ela fez um papelão no momento do discurso do moço sem teto (chama-se Jesse Helt). Num ataque de saudosismo, gastei duas horas e três pacotes de lenços no youtube a reviver os melhores momentos de Hannah Montana.
  2. O texto que o moço leu estava muito bem escrito. Os letristas da Miley fizeram um bom trabalho.
  3. O público americano: sempre impecável. “Los Angeles tem a maior população de jovens sem abrigo na América”, diz o moço de cabelo trigueiro. O público urra e guincha de alegria. Incansáveis, melhores que os No Name.
  4. Não percebo do que é que ela está à espera para comprar duas mamas de plástico. Mete os olhos na Britney, miúda.
  5. Fico à espera de algum geek wikileaker que espalhe na rede o vídeo da noite de sexo dos dois.

 

 

Verão Total: topless e metrossexuais

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Chamemos-lhe Eurico. Depois de ter estado duas horas besuntado com Coca-Cola a fritar recatado junto às dunas, ergueu-se do seu toalhão Ralph Lauren da candonga e varreu o areal com um olhar de falcão em busca de uma lebre indefesa. O seu olhar poisou junto de duas bifas adeptas do topless (uma delas com mamas de abóbora). Desenhou um sorriso nos beiços, mordendo ligeiramente o lábio inferior. Abdominais à Action Man e patilhas tipo aqueles moços que brincam com os touros, avançou (na minha cabeça ouvia-se “Quem é o gostosão aqui”). Ajeitou o cabelo com a mão direita cuspida de saliva, passou um dedo por cada sobrancelha e retesou os músculos o mais que pode. Chegando perto das quatro mamas, desceu do seu céu até ficar de cócoras, tirou os óculos de sol espelhados, mordeu uma das hastes, dirigiu o olhar para a moça das abóboras e largou a maior bojarda de engate que já ouvi na minha vida.

– Você tem umas mamas que são um mimo.

Eu não percebo muito de engate. A coisa mais parecida que experimentei foi perguntar as horas a uma miúda que nem era especialmente tesuda. Ela tinha apenas três pulseiras de elásticos no pulso esquerdo e um olhar irónico que lançou na direção do meu Casio com calculadora. A “conversa” ficou por ali. Ainda assim, a abordagem “você têm umas mamas que são um mimo” só podia estar condenada a um silêncio fracassante como resposta. Falácia. Ela sorriu e ele foi atrás. Em menos de um fósforo (dos pequenos), estava sentado no meio das quatro mamas a trocar números de telefone e perfis de facebook.

“As mulheres gostam de homens seguros”. A voz do meu terapeuta tamborilava entre os meus ouvidos. Levantei-me, procurei a primeira gaija que encontrei sem a parte de cima do biquíni e fui. O meu irmão ainda me perguntou:

– Vais ao banho?

Mas eu nem ouvi. Repetia o mantra do meu terapeuta “as mulheres gostam de homens seguros, as mulheres gostam de homens seguros”. Falseei o mais que pude um andar confiançudo e aprocheguei-me da moça de bicos de mamas cristalizados e larguei a bomba:

– Você tem umas mamas que são um mimo.

Ela olhou para mim com ar de perdigoto e o moço que estava ao lado dela levantou-se de imediato:

– Tu queres levar nos cornos? Tu não vês que a babe está acompanhada?

A minha resposta desencadeou um conjunto de eventos que envolveu muito público, polícia marítima e um pacote de ervilhas congeladas.

– Desculpa lá, com essa sunga e essas pernas depiladas pensava que eras gay.

O moço afinal não era gay, era só metrossexual. Abandonando a praia, envergonhado e dorido, passei junto ao Eurico que se mantinha no meio de quatro mimosos seios que badalavam a cada gargalhada. Já liguei ao meu terapeuta a dizer que as mulheres de mamas ao léu acompanhadas de metrossexuais não gostam de homens seguros.

Godzilla: FAQ’s

Qual é o plot?

É a história de duas baratas gigantes que comem radioatividade ao almoço e ao jantar e que pretendem acasalar. O Godzilla acaba por ser a nossa senhora de Fátima que nos salva de todo o mal. Mesmo depois de levar muitos sopapos, marca um golo já nos descontos quando se lembra que caga lume da boca, coisa que podia ter considerado logo no início da briga.

Então quer dizer que o Godzilla não é o mau?

Isso.

O filme é bom ou é mau?

É péssimo.

É pior do que o outro Godzilla, aquele de 1998 com o Matthew Broderick?

Não, é só péssimo.

Nem o Bryan Cranston salva a coisa?

Não.

Nem o Ken Watanabe?

Não.

Nem a Juliette Binoche?

Não.

Nem…

Não.

Que tal é o argumento?

Os diálogos entre os bichanos são muito cliché, apesar de não se perceber metade do que eles dizem. Dá ideia que não lhes tiraram o açaime durante as filmagens.

Vai haver uma sequela?

Não digo.

O filme tem alguma coisa boa?

O ganido do Godzilla é fixe.

Ao menos os efeitos especiais são bons?

O que é que essa merda interessa?

Dispensáveis – Vítor “I spik the tru” Pereira

Dispensáveis

“I’m a very exigente person” foram as primeiras palavras que disse ao integrar este corporativismo bélico. Antes disso foi rececionista na fundação Jorge Nuno Pinto da Costa durante dois anos e é cofundador da petição “vamos acabar com as técnicas de combate baseadas em bloqueios”. É o perito em eletrónica e escutas telefónicas do esquadrão tendo desenvolvido ilustres capacidades para invadir os edifícios mais impenetráveis com resultados limpinhos, limpinhos. Fluente em sucedâneos do inglês, é-lhe atribuído o atentado que ficou conhecido como “elevado número de não aprovados no exame de inglês do 9º ano”. Quando lhe pediram um comentário acerca do seu alegado envolvimento neste delito, limitou-se a responder “You are the pólice? I speak what I saw no what you want that want to say”.

A biografia não autorizada de Ana “Turbinada” Malhoa aqui.

Todos os Dispensáveis aqui.

Prémio “até borras-te” da semana

Infelizmente, nunca chegou a ser editado em disco, mas fica aqui o registo em vídeo(?) do tema Solidão, por Erika. Consegui apurar junto das minhas fontes do mundo do showbiz que, não tendo atingido o estrelato, é organizadora de eventos em parceria com o Zé Cabra, dá workshops de Windows Movie Maker e presta cuidados paliativos à Florbela Queiroz.

 

Solidão às vezes faz bem

P’ra pensar na vida que a gente tem

P’ra pensar no tempo que por nós passou

P’ra pensar no amor que a gente deixou

Solidão avisa o coração

 

Meu amor tenho saudades de te ter aqui

Não te amo desde que parti

Meu amor tenho saudades de te ter aqui

Não te amo desde que parti

 

O primeiro Dom Sebastião

António Guterres

Eis que chega, a trote, o primeiro Dom Sebastião. Extraviado no denso nevoeiro das Autárquicas de 2001, exilado no Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, gerado nas entranhas da Opus Dei, eis que avança El-Rei Tadinho, arauto do valor santificador do trabalho quotidiano e especialista em fazer contas. Num prenúncio de insanidade, aguarda-se, com etérea ansiedade, a chegada do próximo concorrente a encontrar a saída do labirinto da saudade: teremos Xerne ou Santana?