Verão Total: topless e metrossexuais

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Chamemos-lhe Eurico. Depois de ter estado duas horas besuntado com Coca-Cola a fritar recatado junto às dunas, ergueu-se do seu toalhão Ralph Lauren da candonga e varreu o areal com um olhar de falcão em busca de uma lebre indefesa. O seu olhar poisou junto de duas bifas adeptas do topless (uma delas com mamas de abóbora). Desenhou um sorriso nos beiços, mordendo ligeiramente o lábio inferior. Abdominais à Action Man e patilhas tipo aqueles moços que brincam com os touros, avançou (na minha cabeça ouvia-se “Quem é o gostosão aqui”). Ajeitou o cabelo com a mão direita cuspida de saliva, passou um dedo por cada sobrancelha e retesou os músculos o mais que pode. Chegando perto das quatro mamas, desceu do seu céu até ficar de cócoras, tirou os óculos de sol espelhados, mordeu uma das hastes, dirigiu o olhar para a moça das abóboras e largou a maior bojarda de engate que já ouvi na minha vida.

– Você tem umas mamas que são um mimo.

Eu não percebo muito de engate. A coisa mais parecida que experimentei foi perguntar as horas a uma miúda que nem era especialmente tesuda. Ela tinha apenas três pulseiras de elásticos no pulso esquerdo e um olhar irónico que lançou na direção do meu Casio com calculadora. A “conversa” ficou por ali. Ainda assim, a abordagem “você têm umas mamas que são um mimo” só podia estar condenada a um silêncio fracassante como resposta. Falácia. Ela sorriu e ele foi atrás. Em menos de um fósforo (dos pequenos), estava sentado no meio das quatro mamas a trocar números de telefone e perfis de facebook.

“As mulheres gostam de homens seguros”. A voz do meu terapeuta tamborilava entre os meus ouvidos. Levantei-me, procurei a primeira gaija que encontrei sem a parte de cima do biquíni e fui. O meu irmão ainda me perguntou:

– Vais ao banho?

Mas eu nem ouvi. Repetia o mantra do meu terapeuta “as mulheres gostam de homens seguros, as mulheres gostam de homens seguros”. Falseei o mais que pude um andar confiançudo e aprocheguei-me da moça de bicos de mamas cristalizados e larguei a bomba:

– Você tem umas mamas que são um mimo.

Ela olhou para mim com ar de perdigoto e o moço que estava ao lado dela levantou-se de imediato:

– Tu queres levar nos cornos? Tu não vês que a babe está acompanhada?

A minha resposta desencadeou um conjunto de eventos que envolveu muito público, polícia marítima e um pacote de ervilhas congeladas.

– Desculpa lá, com essa sunga e essas pernas depiladas pensava que eras gay.

O moço afinal não era gay, era só metrossexual. Abandonando a praia, envergonhado e dorido, passei junto ao Eurico que se mantinha no meio de quatro mimosos seios que badalavam a cada gargalhada. Já liguei ao meu terapeuta a dizer que as mulheres de mamas ao léu acompanhadas de metrossexuais não gostam de homens seguros.

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