burt project

Há cerca de um mês comprometi-me a publicar uma foto de um nu integral quando atingisse os 2000 seguidores na página do facebook do blogue. Recolheram-se assinaturas nas principais estações de metro e mandaram-se rezar missas para que este número fosse atingido. Nada une tanto as pessoas como a possibilidade de apreciar as miudezas de um anónimo. Queria louvar o vosso mau gosto porque de outra forma este número não seria possível. Lamento não poder cumprir a promessa da forma rigorosa como havia prometido, mas o Tareco não resistiu a participar.

Anúncios

O Lopetegui chora em calão

unnamed

O treinador do Porto está a conseguir solidificar uma imagem de bebé chorão que não fica bem a um homem de 48 anos. Buaaaah foi penalti claríssimo! Buaaaah o resultado é injusto! Buaaaah fomos prejudicados pela arbitragem! Buaaaah o Quaresma só joga quando eu mandar! Buaaaah estou aflito da garganta!

Ontem mudou de tonalidade e passou a chorar em calão. Quando vi os comentários na rede pensei que era uma manifestação de tripeiros danados com mais um empate (e vão três seguidos), mas afinal o homem excedeu-se mesmo. O homem disse que estava fod…! Podem conferir aqui.

Nem quero imaginar a censura que vai ser necessária no discurso do treinador dos dragões se por acaso a coisa corre mal na terça-feira com o Shaktar…

Talvez o casamento a tenha estragado

antes-e-depois-do-casamento

E foi por isso que decidi visitá-la. Há tanto tempo que não a via que o remorso da minha distância começava a tornar-se uma fadiga de cada vez que ela me lembrava que ainda cá andava. Nunca a perdoei por ter escolhido outro homem a quem entregar a sua cama todos os dias, mas há muito que tinha aceite a ideia de que nunca lhe poderia oferecer a coleção de objetos e oportunidades que ela carecia para acordar todos os dias despenteada e com mau hálito e ainda assim sentir-se moderadamente venturosa.

 “A minha pipoca já fez sete anos e ainda nem a conheceste. Desde que casei que não te vejo, vê lá se apareces.”

Quem é que chama pipoca a uma criança? Merda dos telemóveis. Só estamos realmente escondidos quando ficamos sem bateria. O mundo deixou de ser um salão nobre, tornou-se numa kitchnet e mesmo assim ainda cabemos lá todos. As redes, as redes, as redes. Antigamente, um homem escondia-se, terminava-se para esta ou aquela parte do mundo e o tempo tratava do resto, impondo o esquecimento um dia de cada vez.

“Irei amanhã”.

Fui. “Talvez o casamento a tenha estragado”. Talvez a pipoca lhe tivesse secado os seios. Talvez já tivesse umas calças de fato de treino de andar por casa. Talvez tivesse mergulhado o cabelo num daqueles acajus ridículos. Talvez nunca tivesse recuperado a boa forma após a gravidez. Talvez o casamento a tivesse estragado.

Não estragou. Estava mais boa do que nunca, de saia curta, pernas acetinadas e o cabelo esticado. Ui, que raiva. “Aposto que tem umas calças de algodão cinzento fosco atrás da porta da casa de banho para receber o marido, mas eu tenho de levar com isto”. Felizmente, sem planear, comecei da melhor forma possível para tornar aquele reencontro num ponto final duradouro.

– Este som horrível que vem lá de dentro…Ainda tens a gata? Vê-se mesmo que está com o cio. Não era o teu marido que era veterinário?

No seu rosto desenhou-se uma lividez medonha.

– A gata morreu o mês passado e tenho umas saudades danadas dela. O meu marido está desempregado. E este som horrível é a minha filha a ensaiar a música que vai cantar na festa da escola.

Nem meia hora lá estive.

Assalto à liderança: round 3

round 3

 

O debate começou muita do ‘se bem. Cortes das reformas é para repor? Seguro diz sim. Costa diz sim. Travar os despedimentos da função pública, dá ou nem por isso? Dá pois, diz Seguro. Tudo se arranja, prossegue Costa. Tudo na boa, muito zen. E somos os dois do Benfica, e temos gravatas iguais, e vamos os dois ao mesmo cabeleireiro e já fizemos extensões.

O feng shui todo muito compensado e o fiel da balança já aos soluços sem saber para que lado se havia de virar. Eu já a vestir as calças do pijama e a pensar “ou isto azeda ou vou para a cama ver filmes do Van Damme”. Azedou. Mas azedou feio! Estalou a cacofonia e a luta de galos com um moderador refém de ruidosos uppercuts e biqueiradas no saco escrotal. Aquilo foi uma cena tipo Joana Vasconcelos a dançar o tango com o Nuno Markl numa loja da Vista Alegre. “Ah, então foi um ganda debate.” Não pá, não sejam parvos. Enquanto debate foi uma catástrofe, enquanto combate “vale tudo” foi porreirito. Aos meus olhos foi mais ou menos assim, mas eu nem para apanhar azeitona tenho jeito:

Biqueiradas de Costa

“Falta-te personalidade e energia”

“Não me conformo com a possível vitória da direita nas próximas legislativas”

“Tu deves estar desde pequeno a querer ser secretário-geral do PS”

“Se tivesses usado um décimo da agressividade com o governo da que usaste comigo tinhas derrubado o governo”

“Tu já concorreste a alguma eleição?”

“A proposta da redução dos deputados é populista e prejudica a representatividade do interior do país”

“Tu falas muito mas o que é que tu já fizeste para combater a corrupção?”

“Biqueiradas” de Seguro

Eu estava aqui com uma cena fixe e tu vieste estragar tudo.

E acabou em beleza, com duas garotas aos puxões de cabelos no recreio.

Costa: Não te enerves.

Seguro: Não recebo nenhuma lição de moral tua.

Costa: Mas devias.

Amei. Assim valeu a pena atrasarem o Bem-vindos a Beirais.

Educação para a vulgaridade

portugal aquário

105000 pessoas. O último recenseamento na Casa dos Segredos aponta para este número. 105000 almas disponíveis para saltarem para dentro do tanque do voyeurismo com uma pirueta encarpada e um pomposo splash.  É este o número que ilustra a quantidade de cidadãos que aceitam o jogo de verdade e consequência dentro de um aquário. Pouco importa que a verdade se torne em água choca e que a consequência seja chuparem-lhes todos os nojos para que os seus nojos passem a ser de todos. Até porque, só se cria a oferta porque a procura assim o exige. Já se sente no ar o desejo insustentável que nos empurra para o algarismo 4 do comando. Já se lê nos rostos o apetite sôfrego de descobrir se há gajas boas, moços com dentes bonitos ou personagens fofas porque dão mais pontapés na gramática que o Jesus.

As saudades que eu tenho de quando havia mais vulgares… Lembram-se daquele engenheiro agrónomo que papava os concursos todos e que, inevitavelmente, os acabava por ganhar? Esse mesmo em que estão a pensar. Não era propriamente um filisteu que desprezava o conhecimento. Aquilo para ganhar o Casa Cheia era preciso saber umas coisas e ter sangue frio. Hoje, não. Hoje, há 105.000 pessoas que se acreditam invulgares, fascinantes, de caráter vincado, cativantes, de feitio muito próprio, que dizem tudo pela frente e nada por trás. Chiça penico, somos muita fortes no quadro da singularidade.

Arrisco a dizer: é possível que a maior das virtudes que o português possa ter hoje é ser vulgar. Talvez ser vulgar seja fugir da notoriedade fabricada com biquínis reduzidos, implantes de silicone, músculos inchados e tesos, tatuagens tribais e líbido desgovernada. Talvez ser vulgar seja crer que o país em que vivo não tem, repito, não tem de ser o das maravilhas a qualquer custo. Talvez ser vulgar seja acreditar que a minha galinha é saudavelmente gorda como a da vizinha, mesmo que isso signifique mentir para mim próprio. Talvez ser vulgar seja saber que a fama é uma casa feita de palha que até um lobo mau constipado e com asma deita facilmente abaixo. Talvez ser vulgar seja permitir que os meus dias sejam um tédio, um percurso de irremediável rotina, mas aceitar isso como quem compreende que a felicidade são momentos e que o nirvana não é um estado latente que mereça crédito.

Para os heróis do aquário, no regresso ao mundo dos vulgares, está já prometida a glória quimérica que lhes será servida numa bandeja de prata; uma existência que deixará de ser decorada a sombras para ser toda ela brilhos, batidas de clubes noturnos e capas de revistas de salas de espera a troco de alvíssaras; a explosão em câmara lenta de sorrisos encomendados que promove o complexo de bezerro dourado; a ocupação branda de ser o messias a quem os outros prestam genuflexões e vénias profundas.

“O modo mais eficaz de seres útil à tua pátria é educares o teu filho”, dizia Ramalho Ortigão em As Farpas. Catano, até já tenho nome para uma nova disciplina: educação para a vulgaridade.

I expect you to die, mr Bond: 50 anos de Goldfinger

Cresci a achar que ser agente-secreto estava ao alcance de qualquer um. O Sean Connery (que deve estar a esta hora a contar os minutos para o sim à independência da Escócia) fazia aquilo parecer tão fácil que não compreendo como acabei com um Peugeot 206 em vez de um Aston Martin e continuo seriamente só, com as moças a preferirem uma cama de pregos ao meu colchão ortopédico que me custou os olhos da cara.

Quantos filmes é que já vi do James Bond? Todos. Já os vi todos. Se isso me torna num geek, pois então essa condição torna-se mais grave por já os ter visto a todos mais do que uma vez, alguns possivelmente mais de dez. É só para perceberem o quão triste a minha vida é. Ontem, cumpriram-se 50 anos da estreia de Goldfinger. Os bondies, termo que acabei de cunhar que rotula os fãs severos do agente-secreto, consideram-no o melhor de todos os 21 filmes oficiais do super-herói: é aquele que tem o melhor vilão, o melhor tema de abertura, a melhor Bond girl, a melhor história e aquele que viria a confirmar 007 como um franchising com licença para perdurar. Vinha para aqui cheio de ideias para prestar um tributo todo pipi ao Goldfinger, mas entretanto houve um Tiago Pereira do jornal i que me roubou as ideias todas e ainda por cima, co’a breca, fez a coisa em bom (aqui). Soubesse eu onde ele mora e amanhã acordava com a casa toda pintada a dourado.

Os Dispensáveis: Cláudio Ramos

Dispensáveis

Juntou-se a este grupo de renegados a conselho do seu terapeuta na esperança de curar a depressão provocada pela relação promíscua que o irmão desenvolveu com Zézé Camarinha na Casa dos Segredos. Os restantes Dispensáveis descrevem-no como o “homem mais homofóbico que conhecem”. Desprovido de qualquer capacidade militar e totalmente inapto para a luta corpo-a-corpo, é frequentemente usado como arlequim com a intenção de distrair o inimigo tendo sido treinado nesta arte pelo monge budista Nuno Eiró. É igualmente brilhante enquanto agente infiltrado em cenários de guerra que exigem uma loura boazuda, dissimulando na perfeição uma voz em tons de Oceano Pacífico. O seu talento de imitador é igualmente aproveitado como toque de alvorada devido à sua singular capacidade para reproduzir uma peixeira do Bolhão na menopausa.

A biografia não autorizada de Ana “Turbinada” Malhoa aqui.

A biografia não autorizada de Paula Bobone aqui.

A biografia não autorizada de Vítor “I spik the tru” Pereira aqui aqui.

Todos os Dispensáveis aqui.