Mini-série “Assalto à liderança”

asssalto à liderança

 

Agora que a silly season de chinelo no dedo e bermudas terminou, as séries de qualidade voltam ao pequeno ecrã nacional. Já vi os dois primeiros episódios nova minissérie de luxo Assalto à liderança que anda a deixar meio mundo viciado (no IMDB já atingiu uma pontuação 8,7). Do que é que eu gostei mais? Eh pá, gostei de tudo. Aquilo está muito bem feito, uma coisa muito à americana com cronómetro, sorteio da 1ª pergunta, gráficos e tudo. Com personagens carismáticas e super credíveis: o Seguro com aquele ar de engenheiro informático xoninhas, mas capaz de fazer crashar a bolsa só com um clique; o Costa com traços de gentleman na mesa e tarado na cama. Um ambiente muito descontraído, até demasiado à vontadinha: tu és aquilo, não, tu é que és, ó António olha lá, olha que foste tu, António.

No primeiro episódio, adorei aquela parte em que o Tó Zé Seguro carregou na tecla do “ai agora já te apetece brincar aos secretários-gerais?” acompanhada daquela cuspidela na tromba do “isto não se faz”. Vibrei com a resposta pelas escadas abaixo do Costa de quem, na verdade, queria dizer “desculpa lá, bacano, mas o teu problema é não teres o fator x”, mas teve de ir por um caminho mais soft para não correr riscos de perder o apoio da malta da cultura. E a Judite, coitada, ali a tentar gerir os tempos e eles, na boa, a trocar adágios: e tu não faças uma floresta a partir de uma árvore e tu não tapes o sol com a peneira. A minha parte preferida foi aquela em que o Seguro disse que se demitirá se chegar a primeiro-ministro e tiver de aumentar os impostos. Eu quase que tive um orgasmo quando ouvi aquilo. Como é que nunca ninguém tinha pensado nesta atitude responsável?

Segundo episódio. Não houve cronómetro, mas tivemos uma Clara de Sousa com um cabelo cheio de espuma efeito molhado e um dossier azul-escuro tipo 4ª classe da Ambar muito jeitoso ao lado de Seguro. O preparador de diálogos de Costa deve ter-lhe um valente puxão de orelhas – “é assim que queres ir trabalhar com o La Féria para o Parque Mayer?” – que ele lá deve ter percebido que era melhor treinar as suas falas em frente ao espelho. É que Costa começa a parecer demasiado encostado à imagem de besta política convencido de que isso será suficiente para atingir fama e glória, enquanto que Seguro continua a revelar-se seguro à conta de muita estrada e muitos palcos pisados por esse Portugal, embora à custa de barretes tolos e ferrinhos fora de tempo.

Mas para mim este foi o episódio do “yippee ki-yay, motherfucker!”. Eu quase dei puns com certas arrochadas de dois adultos que se tratam por tu.

Costa – “Não falseies que as pessoas vão ao youtube confirmar.” Yippee ki-yay, motherfucker!

Seguro – “Fica-te muito mal. Fica-te muito mal.” Yippee ki-yay, motherfucker!

Costa – “Eu tenho-te estado a ouvir com uma paciência evangélica.” Yippee ki-yay, motherfucker!

Seguro – “O problema de António Costa é que se julga um predestinado.” Yippee ki-yay, motherfucker!

Costa – “Tu não fizeste oposição ao governo no aumento de impostos e na baixa de ordenados devido a pressões internas do partido.” Yippee ki-yay, motherfucker!

Seguro – “Eu andei pelo país, não estive à janela do município.” Yippee ki-yay, motherfucker!

PS: quem está a ganhar? Passos Coelhos, naturalmente.

PS: adoro esta aposta na ficção nacional.

PS: fisioterapia, Costa? Wtf?

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