tic-tac, tic-tac,tic-tac

crato

Nuno Crato é aquele empregado de limpeza que não vemos a hora de deportar para a reciclagem.

Enquanto foi tempo, vasculhou-nos as gavetas de todos os armários e rapinou-nos todas as joias de dignidade que conseguiu.

Enquanto foi tempo, alunos, pais, professores e auxiliares assistiram à petulância com que varreu o pó do descontentamento para debaixo do tapete.

Enquanto foi tempo, o cotão espalhou-se por todas as divisões de uma escola cheia de correntes de ar à custa de paredes esburacadas por tantas balas perdidas.

Enquanto foi tempo, a incompetência acumulou-se nos cantos de difícil acesso, a gordura da teimosia escorreu pelas paredes e a ignorância amontoou-se nos armários altos.

Enquanto foi tempo, aguardámos por uma lavagem urgente a mangueira de jato de um ensino que nada recebeu além de um pano mal torcido mergulhado num alguidar de água choca.

Enquanto foi tempo, teve a responsabilidade de cuidar de um jardim que ainda tinha alguns canteiros, mas que agora é um silvado espinhoso e denso.

Foi tempo e cá estaremos para pagar uma conta aflitiva por um serviço mal feito. Um serviço contratado a uma empresa que não é mais do que um trapo velho e pífio feito de um pedaço de pano velho rasgado em tiras.

Foi tempo. Crato fez a sua cama e nela se deitará.

tic-tac, tic-tac, tic-tac

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