Tão cedo não me apanham noutra

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Estou a ter alguma dificuldade em perceber o que é suposto fazer agora. Tudo bem, acordei com febre e, a custo, lá aceitei que não estava capaz de ir trabalhar. O dia de ontem já se tinha revelado complicado, mas esperava que fosse uma pieguice temporária. Afinal de contas sou homem e sabemos como qualquer “valentão” se verga com facilidade perante a mais ligeira das enfermidades. A febre lá se encolheu perante o todo-poderoso Brufen. A sensação do corpo moído pelas longas horas atolado no colchão só é compensada pela agradável ausência dos calafrios e arrepios.

Não me lembro da última vez que estive doente e não sei como é que é suposto comportar-me. Fico aqui a olhar à espera que seja amanhã? Não estou habituado a ter tanto tempo livre e agora não sei o que hei de fazer com isto. Nem penses em sair de casa, disse-me o meu pai há pouco pelo telefone, se não nunca mais te vês livre disso. Pronto, fico para aqui a olhar para as paredes a aceitar a ideia de que afinal de contas não sou feito de betão. Fico, mas fico contrariado. Acho também que não ia longe. Tão cedo não me apanham noutra. Que desperdício de tempo! O Gil do armazém já me ligou a dizer que os almoços não são a mesma coisa sem mim. Vê se te pões fino que isto sem ti não é a mesma coisa. A julgar pela paródia que se ouvia ao fundo, acho que ele só estava a ser simpático.

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