O meu pai está crescido

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Quando finalmente saí de casa dos meus pais, há quase sete anos, o meu irmão ainda lá ficou. Se a ideia de ter o quarto todo só para ele representava uma novidade que merecia ser usufruída, rapidamente compreendeu aquilo que para mim já se tinha tornado evidente: os nossos pais são as pessoas mais incríveis do mundo, mas a partir de certa altura temos de amá-los em pequenas porções. Vamos amá-los a vida toda, claro, mas de preferência, pouco tempo de cada vez.
– Tenho tantas saudades tuas. Ainda me amas, meu filho?
– Claro que sim, minha mãe. Mas só até às três e meia.
Mãe é mãe. Trouxe-nos ao mundo e há de ter sempre um saco com fruta e um tupperware com o resto do almoço.
O meu pai, é vê-lo crescer. Conseguimos finalmente que deixasse de usar peúgas brancas e lá se convenceu que é mais rápido apanhar a CRIL para apanhar a ponte. Já não se zanga tantas vezes com o telemóvel e no outro dia acho que até o apanhei a ler. Quando contei ao meu irmão ele disse logo: «deves ter visto mal».
Ontem à hora do almoço, sai-se com esta:
– Olha que a roupa da Primark é uma bela trampa!
O meu irmão quase se engasgou. «Foste tu?», perguntou ele baixinho. «Não! Ainda não tinha sequer começado a investir neste assunto. Só tenho andado a tentar que tire o terço do espelho retrovisor.» Olhámos um para o outro e percebemos que tinha sido uma epifania: tinha lá chegado sozinho. Abraçámo-nos com o meu pai a olhar para nós sem perceber nada. Ficámos tão orgulhosos. Como o tempo passa…Eles crescem tão depressa.

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