Três drogas duras

500_9789724622439_o_pecado_de_porto_negroO Pecado de Porto Negro

 

Lá no trabalho, elas andavam todas doidas com isto, que era tipo Eça de Queirós meets Jorge Amado. Livro de gaja, pensava eu. Tanto andaram, tanto andaram, que lá me decidi a comprar aquela gaita. Quando dei conta já estava nas últimas páginas. Aspirei-o em meia dúzia de dias e só o cio da gata da minha vizinha é que me impediu de ser mais célere (um dia castro o raio da bicha!). O Pecado de Porto Negro é um vício perigosíssimo. Norberto Morais é ainda pouco conhecido, mas o moço faz-se. Escreve bem, mas bem, raios o partam. A certa altura, exigiu-me que não fizesse mais nada. É bom até à última sílaba.

 

 

Jerusalém1507-1

“Gonçalo M. Tavares não tem o direito de escrever tão bem apenas aos 35 anos: dá vontade de lhe bater”, José Saramago. Achava até que talvez fosse um exagero, uma daquelas necessidades de fabricar à força um novo génio da literatura. Mas o que se passa em Jerusalém é, de facto, muito grave. As palavras são escolhidas com um critério quase cruel, havendo muito poucos espaços em branco para o leitor completar. Mas nada parece faltar. É das melhores coisas que li nos últimos anos.

 

 

 

A desumanizaçãoimage

Tenho a merda do livro todo sublinhado. A quantidade de frases que me apetecia roubar-lhe não tem fim. É um livro sofrido, não é coisa para se ler no verão à beira da piscina. Acredito que não seja o melhor livro dele, mas as edições de Valter Hugo Mãe estão esgotadas em todo o lado.

 

 

 

 

 

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3 thoughts on “Três drogas duras

  1. O “desumanização” não é de leitura fácil, de facto. É taciturno e deprimente, é frio e cinzento, é morte inesperada e vida indiferente… é amargo! Necessitava de me preparar psicologicamente cada vez que lhe pegava, e talvez por isso demorei tanto a lê-lo. No entanto, tem frases arrepiantes: “Quem não sabe perdoar, só sabe coisas pequenas”.

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  2. Dos três só li o do Valter Hugo Mãe e partilho da mesma opinião que a da “Limonada”. Demorei imenso tempo a lê-lo mas mexeu imenso comigo e marcou-me e valorizo isso muito mais do que uma companhia leve junto da piscina! Fiquei muito curiosa com os outros dois, confesso que tenho muita dificuldade em escolher livros e quando não me cativam, encosto. Penso que me falta algum masoquismo literário 🙂

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  3. Não me canso de recomendar O Pecado de Porto Negro. O Gonçalo M Tavares já dispensa a sugestão/publicidade porque já tem reputação livre de julgamentos. O Norberto Morais ainda constroi a sua.

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