Dos jantares de Natal

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– Então hoje é jantar de Natal de que grupo?
A minha mãe não achou mesmo graça nenhuma que eu confundisse a ceia de Natal do dia 24 do ano passado com um qualquer jantar de Natal. De pouco valeu tentar explicar que nas últimas semanas tinha andado todo espalhado e ébrio em repastos natalícios, e que já não lhes alcançava quaisquer diferenças.
Foi por isso que ao longo deste ano me fui desligando de vários clãs. Para não correr o risco de dar um novo desgosto a quem esteve dez horas numa marquesa do Santa Maria para me parir , saí do clube de xadrez, deixei de ir ao ginásio, abandonei o grupo de acólitos e até me despedi. Sou capaz até de, inconscientemente, ter sabotado algumas amizades. Pelo menos sempre me esquivo ao jantar dos “amigos que acham que eu sou amigo deles”. Não tenho emprego, nem ocupações de tempos livres, mas consegui reduzir drasticamente o número de jantares de Natal deste ano: trinta e quatro. Bem bom. Desses trinta e quatro, só dez incluem prendas, doze exigem miminhos e oito impõem lembrancinhas. Bem bom. Este ano só tenho jantares de Natal marcados até março. E foi porque comecei logo em setembro. Bem bom.