Às vezes, gostava de ter experimentado a ditadura

25 de abril. As palavras-conceitos são experimentadas ano após ano. Liberdade. Democracia. Revolução. Capitães. Cravos. Chaimites. Grândola. Todos os anos carrego o peso de uma obrigação moral.

– Devia sentir-me mais feliz por ser 25 de abril.

Mas falta-me a perspetiva. Não me chega o testemunho dos outros. É uma espécie de “como nunca passaste fome, pensas que a vida é só bifes com batatas fritas”. Queria que significasse mais acordar no 25 de abril. Talvez se batesse com os cornos na ditadura durantes três ou quatro mesitos percebesse melhor por que é que esta era a madrugada que Sophia esperava. Eu sei lá o que é a liberdade! Eu nunca tive outra coisa!

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